Conheça as principais pragas agrícolas e como evitá-las!

pragas agrícolas
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Pragas agrícolas são organismos indesejados que se multiplicam nas lavouras e causam danos ao cultivo. As ameaças das lavouras brasileiras incluem a lagarta-do-cartucho, a Helicoverpa armigera, a mosca-branca, dentre outras, que costumam atingir culturas de milho, soja, feijão e algodão.

A melhor forma de evitar esse problema é adotando boas práticas agrícolas, como o controle biológico, a agricultura de precisão e o Manejo Integrado de Pragas (MIP), aliados à aplicação eficiente de defensivos químicos. Continue a leitura para entender melhor sobre o assunto!

Lagarta-do-cartucho

A lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) é uma das principais pragas do milho, mas que também infesta mais de 100 outras espécies de plantas hospedeiras. Como seu nome sugere, costuma se alimentar do cartucho, raspando o lado verde das folhas, que passam a apresentar furos. Em casos mais graves, a planta chega a ficar completamente destruída.

As lagartas maiores podem migrar para outras partes, como as espigas, comprometendo o desenvolvimento dos grãos. Quando perfuram a base da planta, provocam sintomas de “coração morto”. Além dos danos evidentes nas folhas, seus excrementos são outro sinal de sua presença na lavoura.

O uso de milho modificado com os genes da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt) é uma importante estratégia que vem sendo utilizada para o controle dessa praga. A prática induz a planta a produzir proteínas inseticidas que coíbem a presença de certos tipos de insetos.

Mas para uma maior eficácia, a técnica deve estar associada a outras práticas sustentáveis de controle de pragas e ao correto monitoramento da lavoura.

Helicoverpa armigera

Trata-se de uma espécie de lagarta exótica que apresenta um comportamento extremamente agressivo nas plantas, sendo encontrada em lavouras de milho, algodão, feijão, soja e muitas outras. É uma praga bastante temida pelos produtores, tendo em vista sua alta resistência e capacidade de adaptação a inúmeros inseticidas de uso comum na agricultura.

Essa lagarta tem preferência pelos órgãos reprodutivos das plantas, mas também pode atacar durante suas fases vegetativas. Ela tem um potencial de destruição muito maior do que outras espécies típicas do Brasil, pois consome uma grande quantidade de massa verde, apresenta alta fecundidade e tem um ciclo reprodutivo relativamente curto.

O controle químico deve ser feito apenas como uma solução emergencial para enfrentar o problema. A estratégia mais eficaz para controlar a população de Helicoverpa armigera envolve o Manejo Integrado de Pragas aliado ao controle biológico.

Duas práticas que se destacam nesse sentido são a introdução do vírus HzNPV e da vespa Trichogramma spp. nas lavouras. O vírus provoca uma infecção no intestino da lagarta, que morre por não conseguir se alimentar. Já a vespa parasita os ovos da lagarta com suas próprias larvas, que crescem e se alimentam do hospedeiro.

Ferrugem asiática

A ferrugem asiática é uma doença causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, um dos principais inimigos das culturas de soja. Seu grande potencial de dano está ligado à facilidade com que se espalha pelo ar, fazendo com que todas as lavouras pelo país sejam contaminadas, até mesmo, por países vizinhos.

Em seu estágio inicial, a doença se manifesta por meio de pequenas pontuações escuras na superfície das folhas, que adquirem um aspecto enferrujado à medida que os esporos dos fungos se espalham. Quando não controlada, pode afetar quase a totalidade da lavoura, levando à perda precoce das folhagens.

O manejo dessa praga deve incluir o vazio sanitário, uma prática que consiste em pausar o plantio por um período mínimo de 60 dias. Esse intervalo é importante para interromper o ciclo de vida do fungo, que depende das plantas vivas para sobreviver.

Ainda, os fungicidas podem auxiliar no controle, desde que integrem um manejo que envolva outras práticas fitossanitárias. A eficácia das substâncias é reduzida quando aplicadas de forma intensiva e isolada, por isso, recomenda-se o uso de misturas comerciais em quantidades moderadas.

Mosca-branca

A mosca-branca (Bemisia tabaci) é um inseto adaptado a diversos tipos de plantios. Além dos danos diretos, também afeta indiretamente as plantas, por meio da transmissão de viroses, como a necrose da haste na soja e o vírus do mosaico em feijoeiros. Ainda, seus excrementos favorecem a formação de fumagina, causada pelo fungo Capnodium sp.

O ciclo de vida se inicia com a fêmea depositando seus ovos na parte inferior das folhas, os quais se transformarão em ninfas posteriormente. Tanto os indivíduos jovens quanto os adultos causam estragos às plantas, ao se alimentar de sua seiva e liberar toxinas nocivas ao seu desenvolvimento.

Trata-se de uma espécie que apresenta alta resistência aos inseticidas, mas tem uma grande variedade de inimigos naturais. Logo, é importante a aplicação do Manejo Integrado de Pragas e do controle biológico para que sua presença seja detectada desde o início e controlada em tempo hábil. O uso de armadilhas amarelas também ajuda a conter a população de insetos adultos.

Doenças de final de ciclo (DFC)

Muitas doenças típicas da soja ocorrem simultaneamente e ficam mais visíveis no fim do ciclo reprodutivo da planta — daí a origem do nome. Assim, é essencial identificar as pragas logo no início do seu estágio, para que a maturação das sementes não fique comprometida.

O crestamento foliar de Cercospora e a mancha-púrpura são doenças comuns entre as DFCs, ambas causadas pelo fungo Cercospora kikuchii. O organismo provoca pontos ou manchas de cor avermelhada em todas as partes da planta, que pode ter sua desfolha antecipada. É quando atingem as sementes, que adquirem uma coloração púrpura.

Outras DFCs bastante conhecidas são a mancha-parda (Septoria glycines), o oídio (Erysiphe diffusa), a antracnose (Colletotrichum truncatum), a mancha-alvo (Corynespora cassiicola) etc. Elas podem atingir toda a extensão das plantas e suas sementes, além de sobreviver em restos culturais e sementes contaminadas.

A contenção dos danos já deve começar de forma preventiva, com o monitoramento da lavoura e o cultivo de espécies resistentes. Ainda, é recomendado respeitar o vazio sanitário e a época certa de semeadura, para se evitar a sobrevivência dos fungos entre uma safra e outra.

A prevenção deve estar presente em qualquer estratégia de controle de pragas agrícolas, uma vez que impede ou retarda sua disseminação pelas lavouras. Igualmente importante é a adoção de práticas sustentáveis que contenham as ameaças sem prejudicar a colheita e o meio ambiente. Dessa forma, você garante a segurança da sua produção durante o ano todo.

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